domingo, maio 28, 2006

Os Frescões no Rio

Texto: Luiz Eduardo Pereira Santos

Na paisagem carioca, os frescões sempre se destacaram por sua imponência e porte. Faremos um retrospecto desta trajetória, cheia de altos e baixos, mas que se mantém até hoje.


Sua história começa na primeira metade dos anos 70, como parte de uma estratégia para reduzir o tráfego de veículos particulares na área central. Para conseguir este intento, torna-se necessário atrair o público de estratos sócio-econômicos superiores, o que será feito através do uso dos ônibus de luxo, com poltronas reclináveis e ar-condicionado.

Assim, o serviço seletivo começou a ser operado em 1973, inicialmente pela Redentor, com 6 carros na linha Castelo x Freguesia via Serra. Algum tempo depois, a Alpha inicia sua operação (linhas para a Grande Tijuca), junto com a Real, com trajetos para a Zona Sul. Cabe ressaltar que a indicação de área, presente até hoje nos veículos da Real e da Redentor, remete a este primeiro esquema de organização espacial dos itinerários.


Até a metade da década de 80, este sistema de linhas seletivas – onde conviviam empresas tradicionais como a Matias, a Pégaso, a Auto Diesel e a Paranapuan junto com viações como a Três Amigos e a Caprichosa, de caráter local – se sustentou com sucesso, inclusive havendo venda antecipada de passagens. Após 1984, podemos ver uma brutal diminuição das linhas rodoviárias, conforme verificado em pesquisa nos guias de ruas.

Na década de 1990, se configura um novo paradigma de serviço rodoviário: o carro executivo, cuja única diferença era a ausência de ar. A partir deste momento, várias empresas investem – ou voltam a investir – no nicho: a Verdun, com a recém-estreada linha 1042, a Ideal, com os famosos Flecha Azul, Matias, Redentor, Rubanil, entre outras. Num período posterior, compreendido entre o meio e o fim desta década, vemos um salto de qualidade, possivelmente causado pelo aumento do poder aquisitivo de seus clientes – gerando uma demanda maior – e pela nascente concorrência das vans importadas. Há a criação dos Serviços Especiais, itinerários derivados de linhas já existentes (SE02, da Auto Diesel, SE003, da Saens Peña, SE005, da Pavunense, e a extinta SE007, da Novacap).


Nos dias atuais, embora algumas linhas ainda sejam operadas com carros rodoviários tradicionais, a maioria das empresas adotou micro-ônibus ou veículos urbanos com ar – como feito com sucesso pela Pégaso, por exemplo – objetivando uma redução na tarifa aplicada e a volta do público cativo deste serviço diferenciado. A Real, que é uma das pouquíssimas empresas a manter um histórico de investimento em ônibus 100% rodoviários, prepara-se para operar novos ônibus nesta configuração, conforme veremos em reportagens posteriores.

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